Autor: José Luis Paramio.
Tradução: Agilson Alves.
Fonte desconhecida.
1. Introdução
A tendência a uma cada vez maior
precocidade na importância de treinamentos específicos para as crianças tem
gerado um notável incremento das alterações orgânicas que em alguns casos chega
a incapacitar totalmente estes «aspirantes» a desportistas para possíveis
resultados futuros.
- A iniciação desportiva tem um caráter
formativo (desenvolvimento de qualidades físicas básicas, aquisição de
hábitos de conduta - aquecimento, compreensão da importância do
treinamento físico, etc. -, enquanto que a especialização requer a
aprendizagem e a capacidade de movimento.
- A aprendizagem é orientada a que o indivíduo
adquira destrezas específicas que, se a criança não tenha desenvolvido,
lhe podem ocasionar dificuldades no futuro.
- O objetivo será o de informar sobre uma sequência
lógica de trabalho que permita ao jovem desportista chegar à época de sua
maturidade física nas melhores condições para conseguir resultados
desportivos expressivos. Não se pode esquecer que as práticas desportivas
devem ser adaptadas às condições fisiológicas e de desenvolvimento do
desportista.
2. Qualidades Físicas Básicas na
criança
Consideramos como fundamentais as
seguintes:
2.1. Força
2.2. Velocidade
2.3. Resistência Aeróbica
2.4. Resistência Anaeróbica
2.5. Flexibilidade - Elasticidade
2.1. Força:
2.1. Força
2.2. Velocidade
2.3. Resistência Aeróbica
2.4. Resistência Anaeróbica
2.5. Flexibilidade - Elasticidade
2.1. Força:
- Desde os 8 até os 12-13 anos não há
grande incremento de força, só aqueles causados pelo crescimento em
longitude e espessura muscular devido ao crescimento físico. Isto supõe um
aumento do peso corporal.
- Desde os 14 até os 16 anos, o grande
incremento do volume corporal condicionado essencialmente por fatores
hormonais proporciona um alto incremento de força até 90% da força total.
2.2. Velocidade:
- Dos 8 aos 12 anos há um contínuo incremento da
velocidade devido a dois fatores principalmente:
- A. Melhora da força.
- B. Melhora da coordenação mecânica dos movimentos.
- Principalmente a partir dos 8 aos 10 anos,
esta qualidade é a causadora do adiantamento da curva de velocidade sobre
a de força e a partir dos 17 anos, já quase se pode dizer que se alcança o
máximo de velocidade.
- A velocidade é fortemente dependente da
coordenação intra e intermuscular, e recentes estudos nos levam a
conclusão de que a velocidade de reação alcança níveis de desenvolvimento
sobre os 10 anos e que a frequência de movimentos por volta dos 13 anos.
- Desde os 12 aos 14 anos se atinge o máximo
desenvolvimento da rapidez de movimento nas ações desportivas, devido
fundamentalmente ao aumento da força veloz.
2.3. Resistência Aeróbica:
- Dos 8 aos 12 anos existe um crescimento
constante da capacidade de resistir a esforços. Se bem que esta atitude
experimenta um ligeiro retrocesso no período puberal, em geral pode se
afirmar que tanto desde o ponto de vista respiratório como metabólico o
organismo infantil está em condições de realizar este trabalho a partir de
idades muito precoces.
- Seu poder oxidatório aeróbico é inclusive
maior que sua própria eficiência mecânica.
2.4. Resistência Anaeróbica:
- Esta qualidade é muito pouco propicia para ser
desenvolvida precocemente por carência relativa de uma enzima chave da
glucólise anaeróbica: a fosfofructoquinase.
- Não suportam nem assimilam esforços entre 40 e
80 segundos de duração.
- A criança não está em condições de assumir um
trabalho destas características, e o fato de se realizar violentaria
notavelmente seu desenvolvimento biológico.
- Asbrand demonstrou, em uma experiência com
dois gêmeos univitelinos como (se bem que o trabalho anaeróbico precoce
pode facilitar resultados positivos – desportivos - em curto prazo)
finalizando o período de desenvolvimento, o que trabalhou em idades
precoces fundamentalmente em rotinas aeróbicas estava em condições de
atingir melhores resultados que quem, queimando etapas, o havia feito de
forma anaeróbica.
- Trabalho anaeróbico alático em jovens se
desenvolve por meio de distâncias curtas e períodos de recuperação amplos.
- Trabalho anaeróbico lático: só a partir da
puberdade. Esporadicamente se pode trabalhar nessa época, porém não de
forma acumulativa.
2.5. Flexibilidade – Elasticidade:
- É esta uma qualidade que desde o nascimento
vamos perdendo paulatinamente.
- Até os 10 anos:
- Praticamente não temos perdido nada, porém no
processo da puberdade com o desenvolvimento muscular rápido, se perde
muito dessa capacidade.
- Se um atleta nas primeiras idades (até os
11-12 anos) realiza movimentos dirigidos a esta manutenção, teremos superado
a idade de perda mais significativa.
- A partir desta idade e até os 17 anos, se
tiver feito o trabalho descrito anteriormente ainda se pode recuperar em
parte a flexibilidade e só neste caso poderia se falar de um
desenvolvimento da qualidade pelo treinamento, já que nos demais casos o
treinamento consegue apenas uma manutenção dela.
- A partir dos 18-19 anos a aquisição da
flexibilidade é muito mais problemática.
Uma menção a parte merece a
COORDENAÇÃO:
«Capacidade para realizar um gesto mais
ou menos complexo, combinando o movimento». Traduz-se
na destreza ou habilidade específica.
Recomendam-se atividades aeróbicas, combinando corrida + obstáculos + lançamentos.
Recomendam-se atividades aeróbicas, combinando corrida + obstáculos + lançamentos.
Processo evolutivo das qualidades físicas
3. Conteúdos Gerais da Atividade
Física:
Devido às limitações da Educação Física
Escolar, teremos que realizar determinadas atividades ou tarefas dentro das
aulas ou dias de atividade.
Um correto planejamento das diferentes
etapas pode ser dividido em:
11-13 anos
- É a idade de Ouro da aprendizagem motora, e por isso é preciso neste período
incrementar a melhora da coordenação e da técnica.
- São fundamentalmente atraídos pelo jogo.
- Têm também afã competitivo (aumenta aos
13-14 anos).
- A corrida, o salto e os lançamentos devem
predominar sobre outras atividades.
- Deve-se basear a atividade (aspecto
fundamental) na variedade e originalidade.
- Pode se começar a aplicar o treinamento da
velocidade e da resistência aeróbica.
- Resistência aeróbica:
- Por meio de corrida contínua ou fracionada.
Não ultrapassar os 20 ou 30 minutos.
- 1/2 vezes por semana. Se existe Ed. Física
Escolar. 10'-12' como aquecimento.
- Velocidade: Por meio da velocidade de reação,
deslocamentos...
- Iniciação à Força, porém evitando grandes
trações musculares e apoios sobre as extremidades.
- As crianças suportam mal as posições estáticas
do corpo e a tensão muscular prolongada.
- O fato de que a criança tenha preferência por
atividades de curta duração se explica por causas fisiológicas como uma
menor capacidade de atenção, a necessidade de estímulos recreacionais, e
uma menor motivação social para o desporto de longa duração.
- FCd (freqüência cardíaca): Se deve ensinar a
tomar a pulsação.
14-16 anos
- Idade ideal para iniciar a preparação
orientada para a especialização.
- Devem manter-se os trabalhos de
Resistência Aeróbica, Flexibilidade, Coordenação e Velocidade (cíclica e
acíclica -esportes de equipe), já com sistemas de treinamento mais
intensivos.
- Deve programar-se o treinamento
progressivo de Força. O trabalho de Força deve ser regido pelos seguintes
princípios:
- 1. Formação polivalente e multilateral.
- 2. Utilizar primeiro o próprio peso do corpo
(autocarga). Empurrar, levantar, saltar, escalar, jogar com bolas
medicinais, exercícios com aparelhos ginásticos, caixotes y aparelhos
simples, serão algumas das atividades fundamentais.
- 3. Dito trabalho deve ser progressivo e de
acordo com a condição do indivíduo em relação a sua idade biológica
(distinta da cronológica).
- 4. Necessidade de fortalecer a região do
tronco (músculos abdominais e lombares).
16-18 anos
- É o momento de intensificar os sistemas de
treinamento próprios da especialidade.
- O treinamento já pode assemelhar-se
qualitativamente ao do adulto.
- É preciso respeitar-se os princípios gerais do
treinamento: sobrecarga progressiva, sobrecarga periódica, variação das
cargas, ordem correta das cargas em cada sessão.
Período
Anos
|
G E N É R I C O
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PREPARATÓRIO MF-F
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11
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12
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13
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14
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15
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16
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Qualidade
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RESIST. AEROB.
C.C.Ext.
C.C.Int.
Int.Train.
R.R.
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RESIST.
ANAEROB. LÁTICA
V.R.
R.C.
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RESIST. ANAEROB. LÁTICA
Velocidade
Musculação
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FORÇA
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FLEX.ELAST.COORD.
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TÉCNICA (Assimilação)
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- Nada * Muito pouco * * Pouco * * * Suficiente * * * * Bastante * * * * * Muito
Força (categorias Cadete e Júnior)
- Na categoria cadete de 1º ano convém utilizar
o trabalho de multilançamentos utilizando bolas medicinais de pouco peso,
incidindo, sobretudo no trabalho de coordenação.
- Na categoria cadete de 2º ano poderá se
utilizar ou introduzir o trabalho de multilançamentos (bolas de 2-3 kg),
realizando exercícios de formação geral. O objetivo fundamental deve estar
orientado para o desenvolvimento e fortalecimento geral.
- Na categoria Júnior:
- O trabalho de multilançamentos deve ser o
primeiro passo.
- Inicia-se o trabalho com pesos.
- Utilização de circuitos (desenvolvimento
de Força-Resistência, exercícios agonistas e antagonistas...).
4. Aspectos práticos importantes
4.1. Aquecimento
- Deve ser um hábito a adquirir desde as
primeiras etapas. Se deve acostumar a criança a sua realização.
- É uma parte primordial do treinamento.
- Para suportar um esforço de alto consumo
energético, se tem que proceder a elevação da Temperatura Corporal.
- Fases:
- 1. Cardiorespiratória ou trote (5').
- 2. Ginástica geral e alongamentos (10').
- 3. Específica:
- · Exercícios de técnica de corrida
(skipping...).
- · Coordenação motora, propriocepção...
- · Exercícios específicos de basquetebol
(bandejas,...).
4.2. Esfriamento ou volta à calma
Depois de qualquer treinamento ou
competição, se deve dedicar de 5-10 minutos a realização de alongamentos e um
pequeno trote.
4.3. Calçado
- Utilização de um calçado adequado.
- Deve-se orientar a utilização de calçados de
basquete polivalentes (1ª etapa).
- Diferenciar depois o uso de calçados para
o treinamento físico e técnico (2ª etapa).
4.4 Necessidade de ingestão de H2O
- O rendimento desportivo depende de 3 fatores,
citados por ordem de importância:
- 1. Condições inatas
(genético).
- 2. Treinamento.
- 3. O que rodeia o
treinamento (alimentação, repouso, etc.).
- O glucógeno se armazena hidratado, portanto é
imprescindível beber muita água. Por cada grama de glucógeno armazenado
são necessários 3 milimoles de água. Se aceitarmos que um desportista
necessita 3 vezes mais de glucógeno, teremos que orientá-los a beber 3
vezes mais que uma pessoa comum.
- O único luxo que não se pode permitir um
desportista é ficar desidratado. Não é necessário esperar que o mecanismo
de defesa dê o aviso de sede.
- Deve-se beber água antes, durante e depois do
exercício.
- Diariamente, as maiores quantidades de água
devem ser ingeridas depois do treinamento.
4.5. Músculos Agonistas / Antagonistas
- Toda ação biomecânica obedece a um processo
muscular agonista que produz o movimento. A contração é sempre do tipo concêntrica
(MÚSCULOS AGONISTAS).
- MÚSCULOS ANTAGONISTAS. O sinergismo
negativo se denomina antagonismo e fundamentalmente porque sem ele não
existiria a coordenação. Estes músculos se opõem ou relaxam quando os
agonistas realizam sua ação.
- Os antagonistas trabalham pouco e sucede que
às vezes não têm suficiente força para resistir a ação dos músculos
principais, aparecendo lesões ou chegando em alguns casos à ruptura por
descompensação.
4.6. Trabalho de Pés
- Exercícios de fortalecimento dos
ligamentos laterais do tornozelo, perôneos, tibial anterior (andar sobre
os calcanhares, girar os tornozelos para dentro e para fora, calcanhar,
calcanhar-ponta, pequenos dribles - sem flexionar as pernas- elevando a
ponta dos pés, etc.).
- Exercícios de sensibilização do pé: parada,
arrancada, trabalho de técnica de corrida, etc.
5. Conclusões
Se pode resumir nos Princípios
Fundamentais sobre a Atividade Física para crianças, princípios que devem estar
muito presentes na cabeza de todos aqueles que desenvolvam atividades com este
tipo de faixa etária.
- A criança não é um adulto em miniatura, mas
sim um ser em evolução.
- A cada etapa de crescimento correspondem
algumas características biológicas que devem ser respeitadas.
- É preciso adaptar a atividade física à
criança, não o contrário.
- Iniciação multidesportiva precoce (a partir
dos 6 anos) e especialização tardia (pós-puberal). Procurar exercícios
simétricos e compensatórios.
- Preparação aeróbica precoce, anaeróbica
tardia. Sobrecarga do aparelho locomotor tardia.
- Deve haver um equilíbrio atividade física -
repouso - estudo.
- Antes do início de toda prática desportiva se
deve realizar um exame médico, assim como revisões posteriores de controle
e rotina.
- «Quem chega a ser campeão antes dos 18 anos,
tem perdido grande parte de suas possibilidades».


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